Cariri reverencia o “Rei do Baião”

Crato — Os 15 anos de morte de Luiz Gonzaga foram reverenciados ontem em todo o Cariri. No Crato, que sempre possuiu fortes ligações com o “Rei do Baião”, a data foi lembrada com crônicas e músicas nas emissoras de rádio. No decorrer dos anos, Luiz Gonzaga foi simbolizando o que melhor se tem da música nordestina. Ele foi o primeiro músico assumir a nordestinidade representada pela sanfona e pelo chapéu de couro. Cantou as dores e os amores de um povo que ainda não tinha voz. Divulgou o nome do Padre Cícero numa época em que era quase um sacrilégio falar sobre o cearense do século. Participou de todos os grandes eventos do Crato, onde recebeu homenagens, inclusive o título de cidadão cratense.

O jornalista Huberto Cabral escreveu que desde de criança, Luiz Gonzaga começou a freqüentar a feira semanal de Crato, em companhia de seu Pai Severino Januário e de seus irmãos. Aos 18 anos, embarcou para Fortaleza, pegando o trem no Crato a fim de servir ao Exército, mais precisamente ao 23-BC, juntamente com João Correia Vilar e seu primo José Ferreira Lima, que foi por muito tempo vigilante do Parque de Exposição do Crato.

Cabral faz um relato saudosista de Luiz Gonzaga, mostrando suas ligações com a Princesa do Cariri, lembrando que, depois que Gonzagão deixou o Exército e se tornou cantor e sanfoneiro, veio visitar Exu e realizou show no Crato em 1946 no antigo Cine Rádio. Em outubro do mesmo ano, a convite dos seus amigos Manelito Parente, Padre Antônio Vieira, Monsenhor Pedro Rocha e Pedro Norões, animou leilões da Festa de São Francisco, em favor da construção da Igreja e do Hospital São Francisco. Em 1953, Luís Gonzaga abrilhantou a Festa do Centenário do Crato, com grande show na Feira de Amostra, instalada na Praça da Sé, trazido pela Rádio Araripe, sob o comando de Wilson Machado. Em 1974, tornou-se cidadão cratense, título outorgado pela Câmara Municipal, em solenidade realizada no auditório do SESI.

Em 1975, Luís Gonzaga levou o Coral da Sociedade de Cultural artística do Crato (SCAC) para cantar a Quinta Missa do Vaqueiro, criada por ele, Padre João Câncio e Pedro Bandeira, em Lajes, município de Serrita (PE), em homenagem ao vaqueiro Raimundo Jacó. A diretora da Escola de Música, Divane Cabral, diz que Luiz Gonzaga sempre valorizou a cultura e a arte cratense. O Crato foi o seu ponto de apoio nos grandes eventos promovidos por ele na região.

O Rei do Baião participou também da inauguração da Rádio Araripe, juntamente com seu pai, Januário, e seu irmão Zé Gonzaga, bem assim da Rádio Educadora do Cariri e do Gaibu Avenida. Foi sempre uma das maiores atrações artísticas da Exposição do Crato, além de seu grande divulgador. Em 1986, Luís Gonzaga participou da maior festa folclórica da Expocrato, em homenagem aos Quatros Heróis do Ciclo do Jumento, promovida pelo saudoso Padre Antônio Vieira, que reuniu no palanque do parque os maiores defensores do jumento: Padre Antônio Vieira, Luís Gonzaga, Patativa do Assaré e José Clementino, que foram saudados pelo poeta Pedro Bandeira, com o apoio da Comissão Central da Exposição do Centro Nordestina. Presidida por Henrique Costa, Luís Gonzaga recebeu homenagem do Crato Tênis Clube, AABB e Clube Recreativo Granjeiro, que lhe outorgaram o título de sócio-honorário e também da Loja Maçônica Acácia do Cariri, cuja construção teve o apoio do “Rei do Baião”.

Quando inaugurou o Parque Asa Branca (que abriga hoje o Museu do Gonzagão e o Mausoléu da Família Gonzaga) – Luís Gonzaga levou o Coral da SCAC para cantar a missa de ação de graças e fazer uma apresentação artística, seguida de grande show de famosos artistas nacionais. Como prova de seu amor ao Crato, Luís Gonzaga gravou a musica “Eu Vou pro Crato”, de José Jataí e “Vovô do Baião”, em homenagem ao seu Pai Januário, ao médico Humberto Macário de Brito e ao Hospital São Francisco.

Em 12 de maio de 1989, Luís Gonzaga fez sua última visita ao Crato e ao Exu, sua terra natal. Foi festivamente recebido no Aeroporto Regional do Cariri pelo Clube Mirim de Ecologia, do Colégio Diocesano, e recebeu do seu presidente, estudante Paulo Ernesto Nascimento, hoje repórter da TV Verdes Mares e filho do jornalista Antônio Vicelmo, o Diploma de sócio-honorário, ao som do Xote Ecológico — um dos seus últimos sucessos musicais, com cobertura da Rádio Educadora, TV Verdes Mares e Diário do Nordeste.

Em 12 de junho de 1989, Luís Gonzaga realizou seu último show artístico no Teatro de Recife, de onde saiu para se internar num hospital da Capital pernambucana, onde permaneceu até 2 de agosto, quando faleceu.

Crato, segundo Huberto Cabral, faz parte dessa história que envolve o mais legítimo representante da cultura regional.

Fonte: Diário do Nordeste

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