Carta às mulheres do Cariri cearense por ocasião do dia 8 de março

“O obrigado ao Senhor pelo seu desígnio sobre a vocação e a missão da mulher no mundo, torna-se também um concreto e direto obrigado às mulheres, a cada mulher, por aquilo que ela representa na vida da humanidade” (São João Paulo II, Carta às Mulheres, 29 de Junho de 1995).

A vocês, mulheres do Cariri cearense, saúde, esperança, graça e paz!

Dirigimos esta carta, sob o signo da gratidão e da solidariedade, ao aproximar-se o dia 8 de Março, cuja data nos remete à batalha pelos direitos mais elementares na História. O Papa Francisco, ao referir-se à vocação e à missão de vocês no mundo atual, durante um encontro com os jovens, em 18 de Janeiro de 2015, na Universidade de São Tomás, em Manila, Filipinas, disse: “As mulheres têm muito a dizer-nos na sociedade atual. Às vezes somos demasiado machistas, e não deixamos espaço à mulher. Mas a mulher sabe ver as coisas com olhos diferentes dos homens”.

Estamos ainda muito aquém do que nos pede o Santo Padre. O Brasil, por exemplo, ocupa a quinta posição no índice de violência contra as mulheres no mundo, impulsionado pelos estados de São Paulo e Ceará. E são alarmantes as estatísticas apresentadas pelo Conselho de Direitos das Mulheres de Crato, trazendo para mais perto de nós: de janeiro a dezembro de 2020 foram registrados 698 boletins de ocorrências, 200 guias do Instituto Médico Legal (IML), 366 inquéritos remetidos, 180 lesões corporais dolosas, 316 medidas protetivas, 226 ameaças, 7 estupros de mulheres e 27 de vulneráveis, 27 descumprimentos de medidas protetivas e 105 flagrantes, somados a 4.087 boletins de ocorrência (BOs) de anos anteriores.

A pandemia da Covid-19 sobressaltou aos nossos olhos essas mazelas que agridem e deturpam o corpo feminino, “símbolo de vida”, como também diz o Papa Francisco, além das condições de pobreza e vulnerabilidades que colocam vocês em situação de dependência, sobretudo para aquelas que convivem com algum cônjuge ou mesmo familiar, pois não são poucos os relatos de abuso praticado por parentes. Tudo isso nos chama para ações de enfrentamento, unindo-nos, como Igreja, aos equipamentos existentes na sociedade civil.

Que a celebração deste dia 8 de março, portanto, seja para vocês – e muito mais para nós, homens – momento de reflexão, mas também de esperança na busca pela paz e pela justiça. Inspirados pelo tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica, que nos conclama ao diálogo como compromisso de amor, sigamos garantindo a salvaguarda dos direitos já conquistados endossando a luta pela vida – e vida em abundância.

A todas, por fim, desejamos coragem e ânimo. Que a venerável Benigna Cardoso, símbolo de resistência, proteja-as nos desafios cotidianos, e a Virgem Maria, Senhora da Penha e Mãe do Belo Amor, ampare-as com seu exemplo e materna intercessão.

Fraternalmente,

Dom Gilberto Pastana de Oliveira
Bispo diocesano de Crato

Cáritas Diocesana de Crato
Pastoral da AIDS
Pastoral do Menor
Pastoral Carcerária
Pastoral da Sobriedade
Pastoral da Criança

Fonte: Diocese de Crato

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