Ceará tem alta de homicídios pelo 2º mês seguido, mas acumulado de 2021 é menor que o do ano passado

O Ceará registrou alta de homicídios pelo segundo mês seguido, na comparação com o ano passado. Em setembro de 2021, foram 301 homicídios, e em setembro de 2020, 253 casos. O aumento foi de 18,9%, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) divulgados nesta sexta-feira (15).

A alta de homicídios registrada em setembro também teve a maior variação em um mês neste ano (18,9%). “Em agosto último, o Estado já havia apresentado aumento de 8% no índice de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) — que abrange homicídios, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Naquele mês foram 281 crimes, contra 260 casos registrados em agosto de 2020.

Entre as vítimas de CVLIs registrados em setembro, estão quatro adolescentes assassinados em uma chacina, no Município de Chorozinho, no dia 18. Moradores da zona rural ouviram tiros durante aquela madrugada e encontraram os corpos das vítimas, na manhã. O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil do Ceará (PCCE).

Antes, o Estado teve seis meses seguidos de redução no número de homicídios, entre fevereiro e julho de 2021, na comparação com os meses do ano anterior. A maior redução aconteceu no mês de fevereiro: 45,5%. Em fevereiro de 2020, o motim de policiais e bombeiros militares impactou na Segurança Pública do Ceará, chegando a 459 homicídios.

20%
Apesar da alta nos últimos dois meses, o acumulado de CVLIs em 2021 é menor que o acumulado do ano anterior, no mesmo período. Entre janeiro e setembro do ano corrente, foram 2.444 homicídios; e nos nove primeiros meses de 2020, 3.055 mortes violentas. A redução é de 20%.

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SSPDS DESTACA INVESTIMENTOS PARA COMBATER VIOLÊNCIA
Questionada sobre a alta de homicídios nos últimos dois meses, a SSPDS destacou que o acumulado de CVLIs de 2021 é menor que o acumulado de igual período de 2020 e ressaltou a importância dos investimentos da Pasta para combater a violência.

Nesta sexta-feira (15), o governador Camilo Santana, na presença do secretário da SSPDS, Sandro Caron; e do secretário Mauro Albuquerque, gestor da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), anunciou o investimento de mais de R$ 120 milhões, por ano, para o reforço operacional nas ruas de todo o Estado para que os indicadores criminais sigam em redução.

Esse valor, que será direcionado já neste mês de outubro para as pastas da segurança pública, permitirá o aumento nos pagamentos de horas extras aos homens e mulheres que atuam nas polícias cearenses, assim como o aumento do número de viaturas nas ruas.”
SSPDS

Em nota
A Secretaria também lembra o anúncio da posse de 247 novos oficiais para a Polícia Militar do Ceará (PMCE), além da realização de concursos para a PMCE, Perícia Forense do Ceará (Pefoce) e Polícia Civil do Ceará (PCCE), que resultarão em mais 2 mil ingressos nas Forças de Segurança.

“De forma permanente, a SSPDS destaca também que realiza ofensivas como as operações Domus, Sumé, Apostos e Redoma. Esse trabalho diário com intuito de coibir ações criminosas no Ceará já resultou em quase 25 mil pessoas capturadas, sejam por flagrantes ou por cumprimento de mandados. Também no acumulado do ano, foram apreendidas 4,9 toneladas de drogas. Já quando se trata de armas de fogo, 4.433 foram retidas de circulação em todo o Ceará”, acrescenta a SSPDS.

“ESTADO É INFLUENCIADO POR DINÂMICA DOS GRUPOS CRIMINOSOS”, DIZ SOCIÓLOGA
A socióloga da Rede de Observatórios da Segurança e do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (LEV-UFC), Ana Letícia Lins, afirma que a “gangorra” (sobe e desce) de homicídios, registrada no Ceará nos últimos meses e até nos últimos anos, se dá porque “o Estado é muito influenciado pela dinâmica dos grupos criminosos nos territórios”.

Ana Letícia detalha que o conflito entre as facções criminosas se acirrou nos últimos meses, inclusive com um racha ocorrido dentro de um grupo criminoso em Caucaia. Como consequência, setembro foi o segundo mês mais violento de 2021 e apresentou uma chacina, diversos múltiplos homicídios (duplos e triplos homicídios) e mortes de crianças e adolescentes.

A gente tem registrado, nos últimos meses, muitos duplos e triplos homicídios. Esses atos de mortes múltiplas são eventos feitos no intuito de passar um recado de demonstração de força, de algum grupo criminoso frente a uma determinada situação ou em relação a um outro grupo”.
ANA LETÍCIA LINS
Socióloga

Fonte: Diário do Nordeste

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