Desemprego entre chefes de família aumenta 65,8% no Ceará

A quantidade de pessoas com trabalho formal nos setores público e privado no Ceará representa 34,8% do total de trabalhadores no terceiro trimestre de 2019, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse número é 2 pontos percentuais (p.p.) menor do que o observado no Estado em 2014, antes do início da crise. Um dos principais grupos impactados com essa queda, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), são os chefes de família, com crescimento de 65% na proporção entre desocupados e desalentados em cinco anos.

De acordo com o economista e supervisor técnico do Dieese no Ceará, Reginaldo Aguiar, há uma diferença significativa nos assalariados formais entre o Ceará e o Brasil, “já que o mercado local é bem mais precário e, entre 2014 e 2019, a situação piorou”.

Isso é explicado pelo fato de que, enquanto os assalariados formais no Ceará reduziram 2 p.p., no País a queda foi de 4,8 p.p., mas ainda assim a diferença é grande, já que a média nacional dos formais é de 45%.

“As taxas de desemprego no Nordeste são maiores que a média nacional. Há uma característica interessante, em que Recife e Salvador têm taxas de desempregos bem maiores porque o mercado de trabalho do Ceará é mais precário, tem mais trabalhadores sem carteira assinada, domésticos e autônomos”, relata.

O economista do Dieese ainda avalia que o mercado de trabalho do Ceará é mais precário, por ter um cenário mais flexível, já que a dinâmica econômica do Estado é menor, o que acaba fazendo com que as pessoas aceitem empregos informais em maior escala.

O economista e membro do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Ricardo Coimbra, considera que existe inerente precarização do mercado de trabalho desde o início da crise. No seu entendimento, assim como a recuperação da economia, o mercado de trabalho no País deve ser recuperado de forma lenta.

Ricardo Coimbra lembra que o crescimento do desalento e do emprego informal, principalmente entre as faixas de idade a partir dos 45 anos, é preocupante. A reforma trabalhista não resolveu essa problemática.

“Com essa dificuldade de reinserção dos chefes de família no mercado de trabalho, eles ficam mais suscetíveis a empregos mais precários em função da necessidade de sustento da família. Outro fator relacionado é que parte dos integrantes daquele seio familiar, em especial os mais jovens, também entram no mercado de trabalho”, completa.

Ainda segundo o levantamento do Dieese, o rendimento médio por hora, descontado a inflação do período, no Ceará, saltou de R$ 9,11, em 2014, para R$ 9,85, neste ano. Apesar da tímida alta, foi superior à média nacional, que em cinco ano subiu R$ 0,06, mas ainda permanece bem acima do rendimento os trabalhadores do Estado, com R$ 13,87.

O IBGE aponta que o salário médio do trabalhador cearense saltou R$ 120 em quatro anos. O número, que não desconta a inflação no período, faz com que a média salarial seja atualmente de R$ 1.626, enquanto a média nacional é de R$ 2.298, valor 41% mais alto.

“A taxa de renda média na Região – não só no Ceará – são bem inferiores à média nacional. Isso quer dizer que daquele tempo até hoje tudo piorou muito no mercado de trabalho”, analisa Reginaldo Aguiar.

Entre os fatores que poderiam aumentar a produtividade, na visão do Dieese, estão o investimento na educação, modificação do modelo macroeconômico que desprestigia a indústria em comparação ao agronegócio e a mineração, que visam o mercado externo e que não gera tantos empregos, quanto o potencial da indústria.

Fonte: O Povo

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