Diocese de Crato acolhe III Simpósio Nacional de Estudos Agostinianos

Santo Agostinho (354-430) – ou Agostinho de Hipona – é bispo e doutor da Igreja. Sua devoção não é tão difundida quanto São José, São Francisco ou Santo Expedito, mas uma capela na Diocese de Crato, localizada numa comunidade rural de Porteiras, tem-no como padroeiro.

Afora isso, Santo Agostinho é mais conhecido pela obra “Confissões”, notável tanto no meio eclesiástico quanto acadêmico. Nela, o bispo de Hipona disserta sobre sua trajetória por diversas correntes filosóficas, até encontrar a verdade, na Igreja Católica, que ele chamara de “Beleza tão antiga e sempre nova”. Essa verdade – sublinhara Agostinho – é o próprio Deus que habita o interior humano.

Essa “mistagogia” e essa mística estão em debate no III Simpósio Nacional de Estudos Agostinianos, acolhido pela Diocese de Crato até a próxima quarta-feira, dia 22 de maio. A abertura do evento ocorreu, nesta segunda, dia 20, no Memorial Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, onde também ocorrem diversas conferências e grupos de trabalho. Participam da programação professores, pesquisadores e alunos de Filosofia, com destaque para os seminaristas.

O evento é realizado pelo Núcleo de Estudos Agostinianos e Filosofia na Idade Média, da Universidade Federal do Cariri (UFCA), do Grupo de Trabalho Agostinho de Hipona e o Pensamento Tardo-Antigo, em parceira com o Instituto de Filosofia do Seminário São José. O encontro deste ano tem representantes de diferentes universidades, tais como a Federal do ABC (SP), de Alagoas, de Pernambuco, de Pelotas (RS) e da PUC-Minas.

O coordenador do simpósio, professor Nilo César da Silva, ressaltou que, embora sejam tempos sombrios para “os operários da Filosofia” (restrição à disciplina por parte do governo), como forma de resistência, o pensamento de Santo Agostinho ilumina a todos: àqueles que têm fé cristã, ele oferece, em suas sínteses grandiosas, a alegria de contemplar a sua profundidade e a sua eficácia. E, para quem não a tem, sabe dizer palavras humanas, capaz de revelar o homem ao homem, mostrando sua natural dignidade, suas aspirações e esperanças. “Com ele, pensamos a existência no mundo e a capacidade de existir para o bem”, explicou o professor.

Em sua fala, na mesa de abertura do evento, a pró-reitora de pesquisa da UFCA, professora Laura Hévila Inocêncio Leite, compartilhou do mesmo pensamento: “O conhecimento de Deus pressupõe romper com as crenças sem fundamentos e com a ignorância. A fé é impessoal e intransferível. Somos confessionais, mas fazer pesquisa no território confessional poderá não ser razoável se não houver diálogo com as ciências. É preciso considerar que não existe divergência entre fé e razão. O que existe é crise de razão e ignorância”.

Abertura

Na abertura do simpósio, houve apresentação do grupo musical “Ancestrália”, da UFCA, e o lançamento de diversos livros ligados ao pensamento agostiniano.

O bispo diocesano, Dom Gilberto Pastana, enviou uma saudação especial, que foi lida pelo reitor do Seminário São José, Padre Acurcio Barros. “Encontrar-se para refletir, discutir questões fundamentais e partilhar pontos de vistas e perspectivas resultantes de diversas investigações é, sem dúvida, profundamente salutar, necessário e formativo”, escreveu o bispo.

Na mensagem, ele também lembrou a figura de Santo Agostinho como um dos mais destacados e cativantes mestres de todo o cristianismo, cuja luz continua a inspirar o seguimento a Jesus, o “Pastor Belo e Bom”. “O denoto agostiniano legou-nos centenas de homilias que iluminam a vida litúrgica, alimentando a fé e a caridade, condições para um exercício autenticamente místico, que nos possibilita ver e sentir com novos olhos e corações”, sublinhou.

Dom Gilberto ressaltou ainda que, em meio a tantas inquietações e labores, Agostinho representa bem o ser humano atual no desafio e na busca por um sentido maior para a sua trajetória.

Participantes

Além de professores, pesquisadores e alunos do curso de Filosofia, participaram da abertura do simpósio o reitor do Seminário Propedêutico, Padre Cícero Luciano, o reitor da Basílica Nossa Senhora das Dores, Padre Cícero José, acompanhado do bispo auxiliar da Arquidiocese de Olinda e Recife, Dom Limacêdo Antônio da Silva, e a equipe formativa do Seminário São José, Padre Antônio Romão (Toninho) e a professora Maria do Carmo Pagan Forti.

Fonte: Patrícia Mirelly/Assessoria de Comunicação da Diocese de Crato

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