Há 19 anos, Dom Fernando Panico assumia a Diocese de Crato

O dia 29 de junho de 2001, Festa dos Apóstolos São Pedro e São Paulo, caiu numa sexta-feira.  Naquela data, pela manhã, chegou a Crato, para tomar posse como 5º Bispo da nossa diocese, Sua Excelência Reverendíssima Dom Fernando Panico. O povo saiu às ruas para saudá-lo, naquela manhã. Desde o primeiro momento, a simpatia do novo bispo conquistou a todos. À tarde, a Praça da Sé – onde fica a Catedral –, estava lotada com delegações dos diversos municípios componentes da Diocese de Crato, que vieram assistir à posse do seu novo pastor.

Na sua homilia de posse, Dom Fernando leu um bonito e expressivo texto, do qual transcrevo abaixo uma pequena parte. Nela, o novo bispo antecipou um dos eixos que marcaria sua atuação pastoral:
“Esta de Crato é uma diocese que, sem conhecê-la ainda, já entrou no meu coração. Quem sabe, será porque para a nossa diocese convergem os olhares, os corações e os pés de um povo simples e bom? Refiro-me ao constante e numeroso afluxo de romeiros, que, carregados da fé dos simples, fizeram deste vale do Cariri, diria uma Terra Santa. Não podemos desconhecer este fato que é peculiar e desafiador para a nossa ação evangelizadora. O Pe. Cícero Romão Batista – o “Cearense do Século XX” – como foi aclamado pelo povo, é filho de Crato. 
Ao redor da sua pessoa e da sua memória, desencadeou-se uma expressão de religiosidade popular tão forte e tão rica de símbolos que, pelo menos, chama o meu interesse de pastor e estudioso de liturgia. Vejam só o que me aconteceu, no fim do mês passado. Encontrava-me em São Paulo, hóspede da casa provincial dos Missionários do Sagrado Coração. Ao abrir a porta dos meus aposentos, logo vislumbrei uma pequena imagem de madeira do Pe. Cícero, em cima do armário.
Fiquei bastante surpreso. E pensei comigo: será este um sinal de Deus? De fato, não deixa de ser curioso o futuro bispo de Crato dando de frente com a imagem do Pe. Cícero, no seu quarto, e em São Paulo. Tomei aquela imagem nas mãos e pedi permissão ao Superior Provincial para levá-la comigo para Crato. Os meus confrades acharam isso muito interessante, desejaram-me um feliz encontro com o Pe. Cícero, em Juazeiro e ficaram comentando: “Será que o Pe. Cícero não está pedindo um auxílio ao seu novo bispo?”
Naquele instante, a massa humana que lotava a Praça da Sé irrompeu em demorado aplauso. Por certo Dom Fernando sentiu, naquele instante, que a maioria do seu novo rebanho era simpática à memória e à herança espiritual deixada pelo Padre Cícero.
Dom Fernando Panico foi vitorioso nessa sua batalha! Em 2015, o Papa Francisco enviou a hoje famosa Carta de Reconciliação da Igreja Católica com a Herança Espiritual do Padre Cícero.
Dom Fernando Panico permaneceu entre nós durante 15 anos e meio. Ao renunciar, por motivo de saúde, em dezembro de 2016, deixou um legado de grandes e profundos frutos como Bispo Diocesano de Crato. De forma resumida poderia citar.
– A valorização das romarias e do acolhimento aos romeiros, com novas atitudes e um cuidado pastoral com eles.
– As Santas Missões Populares que, preparadas ao longo de três anos, acentuaram o rosto missionário da nossa Igreja Particular.
– A reestruturação pastoral da Diocese em Foranias e Comunidades.
– A realização do 13º Encontro Intereclesial das CEB’s, na cidade de Juazeiro do Norte.
– A elevação da Igreja Paróquia de Nossa Senhora das Dores, em Juazeiro do Norte, ao título de Basílica Menor.
– A criação de 13 novas paróquias e de quatro Santuários Diocesanos.
– A construção de uma unidade da Fazenda da Esperança, no município de Mauriti, destinada à recuperação de jovens e adultos dependentes do alcoolismo e outras drogas.
– Reconhecimento diocesano de novas comunidades de leigos consagrados. Acolhimento de vários institutos religiosos, em cidades da nossa diocese, a exemplo da Abadia das Monjas Beneditinas, em Juazeiro do Norte.
– Ordenação de 68 novos padres para a diocese e a instituição do Diaconato Permanente, tendo ele ordenado 39 diáconos permanentes;
–  A abertura do Processo de Beatificação da menina Benigna Cardoso da Silva, a Mártir da Castidade, nascida em Santana do Cariri, outra grande vitória do seu episcopado, pois essa Beatificação ocorrerá em breve;
–  A criação do curso de Teologia no Seminário São José, o qual, graças a isso, passou a ser Seminário Maior, e formou sacerdotes para cinco dioceses nordestinas: Crato e Iguatu (no Ceará), Salgueiro e Petrolina (em Pernambuco) e Cajazeiras, na Paraíba;
–  Entrega da administração do Hospital São Francisco de Crato à Ordem dos Camilianos, providência que salvou aquela unidade hospitalar de encerrar suas atividades, como vem ocorrendo com outras instituições congêneres no Cariri;
–  Construção dos dois blocos que compõem a nova Cúria Diocesana;
–  Construção do novo Seminário Propedêutico, no bairro Granjeiro, em Crato, dentre outras iniciativas que delongaria aqui alinhar.
A Dom Fernando Panico a nossa manifestação de gratidão e do nosso profundo reconhecimento pelo muito que ele fez pela Igreja Católica Apostólica Romana no Cariri e no Nordeste brasileiro.
Fonte: Blog do Crato/Armando Lopes Rafael
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