Já imaginou escolher um cordel dentro da geladeira?

Você já imaginou encontrar no meio do mato, ou na ponta de rua uma geladeira transformada em estande com cordéis expostos para a sua leitura inteiramente grátis? A ideia é do jornalista e poeta Paulo Ernesto Arrais que transformou uma geladeira velha, que seria jogada no lixo, numa estante, onde foram expostas cerca de 100 cordéis. A primeira geladeira, com esse objetivo, foi instalada na Avenida Pedro Felício, no pé de um muro de uma casa residencial, nas proximidades do Clube Recreativo Granjeiro.

Ali, o transeunte tem oportunidade de conhecer a literatura de cordel. Basta abrir a geladeira que lá estarão dezenas de cordéis de poetas regionais e nacionais. E nem precisa pagar nada, mas são bem-vindos as trocas, doações e, principalmente, o compartilhamento das iniciativas voluntárias.

O ambiente é convidativo para uma leitura. A paisagem da encosta, o clima de pé de serra e a velha geladeira a inspirar histórias ocorridas na cozinha de casa ou na mesa dos bares. É o reencontro da tecnologia com a natureza, uma interatividade entre o novo, que se transmuda em arquivos de poesias e o velho, que resiste ao tempo.

O intuito, segundo Paulo Ernesto, é atrair novos e velhos leitores e valorizar, principalmente, a cultura popular regional. Membro da Academia dos Cordelistas do Crato, o Paulo Ernesto nutre uma verdadeira paixão por este tipo de cultura que está arraigada na alma da maioria dos caririenses.

Em parceria com o artista plástico Luiz Augusto, o “Guto”, a geladeira chama a atenção pelas cores. Na porta, um homem da roça, lendo um cordel. Na lateral, ruas de casas bem nordestinas. No interior, as grades servem de ganchos para segurar os cordéis. O próprio Guto, que também é cordelista, se encarregou de arrumar os folhetos, como a ave que aninha os filhotes para dormir.

“Transformar a velha amiga da cozinha em prateleiras para livros, é uma forma barata e de fácil adaptação de incentivar a leitura”, justifica o artista plástico. O colorido lúdico e atraente, que desperta curiosidades, é um dos pontos altos do projeto, que reaproveita o eletrodoméstico para torná-lo um ambiente voltado para a leitura.

“O intuito é fazer com que a comunidade abrace a ideia e adote a geladeira como bem público. Além do compartilhamento dos cordéis, é dado um novo uso a um eletrodoméstico que seria descartado no meio ambiente. Paulo justifica que o projeto tem outro objetivo: ‘despertar nas pessoas o senso de responsabilidade e honestidade’. Afinal, o sucesso vai depender da consciência de cada um, adverte”.

Antônio Vicelmo/Jornalista
Fotos: Paulo Ernesto

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