Matrículas em graduação presencial caem e ensino a distância cresce no Ceará

Segundo o Censo do Ensino Superior de 2018, divulgado no último mês, cerca de 248 mil indivíduos se registraram em alguma IES no Estado para graduação do tipo presencial e 52 mil se inscreveram para aulas online

O número de matrículas em cursos de graduação presencial nas Instituições de Ensino Superior (IES) no Ceará reduziu em cerca de 10 mil nos dois últimos anos. Enquanto isso, as inscrições para cursos de Ensino a Distância (EAD) cresceram em quase 15 mil em igual período.

Segundo o Censo do Ensino Superior de 2018, divulgado no último mês, cerca de 248 mil indivíduos se registraram em alguma IES no Estado para graduação do tipo presencial e 52 mil se inscreveram para aulas online. O levantamento é organizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ligado ao Ministério da Educação (MEC).

No Nordeste, a quantidade de vagas para graduação de EAD também já é quase a mesma do de cursos presenciais, que ofertaram, ano passado, 360,6 mil vagas, enquanto os online 330,1 mil. Destas últimas, pelo menos 80 mil foram oferecidas no Ceará. No Brasil, a oferta de vagas para o ensino a distância já superou a de presenciais ainda em 2018, com 7,1 milhões (para cursos online) e 6,4 milhões (em sala de aula).

Porém, o Inpe alerta que os números de EAD precisam ser melhor quantificados, terem filtros mais precisos para identificar bem as ofertas para os estados, uma vez que os estudantes podem cursar a graduação em qualquer local do País.

Para o professor titular da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Wagner Andriola, a modalidade de cursos semipresenciais ou a distância é ideal para aquele aluno que trabalha, que tem pouco tempo.

“A tecnologia é algo absolutamente imprescindível para quem está num curso EAD. A sala de aula física é uma sala virtual. É lá onde as pessoas se encontram e trocam conhecimento. Hoje em dia, até um simples celular permite essa interação”, destaca.

Por outro lado, Andriola frisa que há grande contradição envolvendo a tecnologia, uma vez que os aparatos decisivos para o alcance do ensino a distância não chegam da mesma forma às regiões mais pobres do País, como no interior do Norte e Nordeste.

Todas as ofertas para cursos na modalidade EAD são disponibilizadas no site do Ministério da Educação. A dica da professora doutora Lana Crivelaro, coordenadora do Núcleo Regional da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed) no Ceará, é entender quais serviços as instituições disponibilizam.

“O ensino superior é acessível, mas o de qualidade não é tão barato assim”, avalia. Para ela, é importante o aluno ir à instituição, conhecer quem faz o curso, identificar se já tem alguém formado, entender como o mercado de trabalho absorve indivíduos formados pelo curso pretendido. Ela pontua ainda a obrigatoriedade de o graduando realizar as provas presencialmente, de acordo com prerrogativas do MEC.

“O preconceito quanto à modalidade a distância precisa deixar de existir. Esse é o futuro. Se não for totalmente a distância vai ser híbrido. Não adianta achar que, no mundo tecnológico, o aluno queira somente o ensino presencial. O aluno de hoje nasce conectado. Se não for mudar o modelo de ensino presencial, e não tivermos possibilidade de acesso nos dispositivos móveis, os cursos presenciais precisam entender que devem incluir o modelo híbrido logo logo”, complementa.

Fonte: O Povo

Faixa atual

Título

Artista

Background