Mesmo na pandemia, Ceará gera 18,5 mil empregos em 2020, 80% a mais que em ano anterior

Apesar de todas as dificuldades provocadas pela pandemia da Covid-19, o Ceará conseguiu não só recuperar as vagas formais perdidas no período, como ainda gerou 18,5 mil empregos com carteira assinada em 2020. O número é 80% maior que o total gerado em 2019, quando foram abertas 10,3 mil vagas, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia divulgados ontem (28).

O Estado ainda conseguiu o segundo melhor resultado do Nordeste no ano e o oitavo do País em número de empregos, resultado comemorado pelo governador Camilo Santana. “Isso mostra que estamos no caminho certo. Continuaremos dedicando todos os esforços no enfrentamento à pandemia e na atração de novos investimentos para, assim, aumentar as oportunidades aos cearenses. Com muito diálogo e a colaboração de todos os setores, seguiremos a retomada da economia de forma responsável e eficiente”, escreveu ele em uma rede social.

O secretário do Desenvolvimento Econômico e Trabalho do Ceará, Maia Júnior, avalia que o resultado foi uma “tremenda superação” em meio às circunstâncias da pandemia. “Diante de tudo que aconteceu ainda terminar o ano com saldo melhor que o de 2019 é muito positivo e mostra a pujança da nossa economia”, avalia.

Ele ressalta que estados com economias mais estruturadas e fortes que a do Ceará não conseguiram números tão bons, como Pernambuco, que perdeu 5,16 mil vagas, e da Bahia, que teve saldo negativo de 5,3 mil postos de trabalho no ano. No Nordeste, apenas o Maranhão gerou mais empregos que o Ceará, alcançando saldo positivo de 19,7 mil vagas formais.

“Se a gente olhar, o Ceará vem apresentando uma perspectiva positiva geral. Diante de todas as circunstâncias, nós crescemos o número de empregos, crescemos o saldo entre abertura e fechamento de empresas em quase 18%, algum movimento de carga nos portos cresceu, como o volume de contêineres”, indica o titular da Sedet.
Apesar de comemorar os dados, Maia Júnior aponta que o número ainda ficou aquém do desejado. “Não foi o ideal, gostaria de ter gerado 150 mil empregos. Mas ainda assim foi um dia feliz para mim e minha equipe”, afirma.

No último mês do ano, o Estado abriu 3,8 mil empregos formais. Apesar de positivo, o número ficou bem abaixo do desempenho de novembro de 2020, quando o Ceará gerou 15,3 mil oportunidades. Ainda assim, o Estado obteve o melhor saldo do Norte e Nordeste no mês.

Serviços puxam geração de empregos
Todos os setores da atividade econômica no Ceará encerraram o ano com saldo positivo. Os serviços tiveram o melhor resultado acumulado de 2020, com 7.069 empregos gerados, seguido pela construção civil (5.997) e pela indústria (4.210). Embora com desempenho menor que os outros setores, o comércio (734) e a agropecuária (536) também criaram postos de trabalho formais no ano.

O analista de mercado de trabalho do Instituto de Desenvolvimento do Trabalho (IDT), Erle Mesquita, avalia que o resultado é surpreendente por ser o sexto seguido de alta, mas ressalta que o processo de recuperação ainda é muito lento.

“Se olharmos a média de admissão e demissão, podemos ver que estamos em processo lento de recuperação. Os dados de desemprego de dezembro (divulgados pelo IBGE) só devem sair em março e isso pode prejudicar uma análise do mercado de trabalho de forma mais profunda. Ainda assim, não podemos desconsiderar essa formação de empregos no Ceará”, destaca.

Mesquita acredita que, apesar do saldo positivo, ele ainda foi aquém do esperado, tendo em vista o contingente de pessoas que ainda estão desempregadas.

“Tivemos muitas medidas anticíclicas, como o auxílio emergencial, que ajudaram o processo de recuperação da economia. E ano eleitoral dinamiza alguns setores, como a construção civil. Até novembro, setores ligados a vestuário e alimentação foram os que tiveram boas altas, tanto no setor industrial quanto comercial. Cada setor tem sua sazonalidade e, depois da reabertura, todos tiveram bons resultados, maiores ou menores. Já em dezembro, o setor terciário puxou esse resultado”.

Para este ano, Maia Júnior revela que é difícil traçar um prognóstico de como irá se comportar o mercado de trabalho, tendo em vista a instabilidade política que acaba prejudicando a economia.

“Já temos sinais fortes de queda do varejo com a ausência do auxílio, temos uma incerteza no mercado que está precificando a instabilidade política, além da falta de coordenação adequada com o enfrentamento da pandemia”, aponta.

Mesquita também acredita em um cenário mais desafiador para este ano. “O grande desafio é encarar 2021, com a renovação ou não do auxílio. E o começo do ano é crucial, porque temos um momento ruim pelo fechamento de postos de trabalho temporários. Temos um cenário adverso, que preocupa, podendo até ter um momento reverso, já que no pior momento do mercado de trabalho estaríamos sem o suporte que existiu antes”, alerta o analista do IDT.

Fonte: Diário do Nordeste

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