Uma italiana bem brasileira: Irmã Cecilia Zanet celebra 50 anos de Vida Religiosa

Irmã Cecília Zanet sempre quis ser missionária. Completou os estudos, chegou mesmo a ficar noiva, mas sentia que algo faltava. Foi quando conheceu a Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Cristo, no norte da Itália, onde vivia com a família, em uma propriedade rural.

No afã do Concílio Ecumênico Vaticano II, cursou Teologia. Não bastou. Queria mais. Enviada ao Brasil, ao lado de outras duas religiosas, ajudou a abrir, oficialmente, casas de missão. Não fosse uma ponta de sotaque, poderia ser considerada brasileira: dos 50 anos de vida religiosa, trinta e três foram semeados nessas “Terras de Santa Cruz”, em trabalhos com crianças, catequese e formação de lideranças. À Diocese de Crato chegou há três anos, precisamente à Paróquia Nossa Senhora Aparecida, onde atua em sua área de formação, principalmente em Círculos Bíblicos com a comunidade .

Aos 73 anos, Irmã Cecília vive a alegria de celebrar Jubileu de Ouro. Para marcar a passagem dessa dada magna, ao cair da noite deste domingo, dia 18 de agosto, junto às Irmãs de congregação e de outras congregações amigas, renovou os votos de castidade, pobreza e obediência diante do povo e da Igreja, amparada no Profeta Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim” (Is 61, 1).

A Missa em Ação de Graças, presidida pelo bispo diocesano Dom Gilberto Pastana, foi permeada de outros dois significados: a solenidade da Assunção de Nossa Senhora e a abertura da terceira semana de agosto, dedicada às vocações à Vida Consagrada (religiosos e consagrados seculares). A Eucaristia deste dia “jubilar” foi rezada na Matriz de Nossa Senhora Aparecida, em Crato. Concelebraram o pároco local, Padre Joaquim Ivo, Monsenhor João Bosco Cartaxo (Santuário Eucarístico Diocesano) e os padres Francisco Roserlândio (diretor do Departamento Histórico Diocesano) e Eliomar Serafim (Área Pastoral Imaculada Conceição, no distrito de Santa Fé), assistidos pelo diácono transitório Marcos Dantas.

Fitando a Cruz Missionária, trazida pelo Conselho Missionário Diocesano (COMIDI), colocada ao lado da mesa do altar, onde também podia ser lido: “A minha alma engrandece ao Senhor”, primeira estrofe do “Magnificat”, Irmã Cecília disse, com voz embargada: “Só tenho mesmo que agradecer. Agradecer a todos pela presença orante e amiga”. A emoção veio após as homenagens quando algumas crianças da catequese fizeram breve encenação, recordando a caminhada vocacional da religiosa. E também quando a coordenação da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), que a presenteou com um novo “anel de tucum”, usado como símbolo do compromisso para com os pobres, além das Filhas de Santa Teresa de Jesus, as primeiras que a acolheram logo que desembarcou no Cariri, vinda da Diocese de Apucarana (PR).

Vida doada para Deus, no serviço aos irmãos

A jovem Bruna Pereira acompanhou a “celebração jubilar”. E considerou que, em mundo cercado por desencontros e desafios, é motivo de alegria celebrar 50 anos de uma vida doada ao serviço da Igreja e dos mais pobres. Com inclinações à Vida Religiosa Consagrada, disse também que Irmã Cecília a inspira com maior entusiasmo e confiança de que é possível abraçar as necessidades do povo, o grito dos oprimidos e a voz dos que clamam sem alento.

Parecido refletiu Dom Gilberto durante a homilia. Após explicar o Evangelho do dia, no qual Maria canta o seu “Magnificat”, afirmou: “Como é bom celebrar uma vida que serve de espelho, de modelo para outras vidas. Mas essa é uma vida que não é vivida para si, mas para Deus no serviço aos irmãos. Cinquenta anos de doação, de serviço e de entrega deve, sim, servir de inspiração, principalmente à juventude que busca um sentido para a sua existência”.

Missionária de Cristo

Irmã Cecília Zanet nasceu em Fontanelle ( Treviso), no norte da Itália, em 20 de março de 1946, em uma típica família rural de pequenos proprietários. Sua educação foi pautada no exemplo dos pais, fiéis à religião e às Missas dominicais, que ninguém podia faltar.

Completou os primeiros estudos e embora tenha até ficado noiva, dentro dela havia sempre um vazio preenchido em 8 de setembro de 1967, quando foi arrebatada pelo desejo de ser missionária.

No dia 02 de fevereiro do ano seguinte, ingressou na Congregação das Irmãs Franciscanas Missionárias de Cristo. Fez a primeira profissão religiosa no dia 10 de setembro de 1969.

Na Congregação, completou o Ensino Médio, formando-se como professora. Depois cursou Teologia, no embalo do Concílio Ecumênico Vaticano II.

Após um período exercendo o magistério, trabalhou em pastorais em algumas pequenas comunidades paroquiais.

No dia 05 de março de 1986, conseguiu realizar o sonho missionário: foi enviada ao Brasil, junto a outras duas religiosas, que vieram abrir oficialmente a presença da Congregação em terras brasileiras.

Na Diocese de Apucarana (PR), trabalhou na assessoria diocesana da Pastoral da Criança, da Catequese e na formação de liderança . Ainda no Sul, completou a preparação pastoral como assessora do Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), na área de “leitura popular da Bíblia”. Também trabalhou alguns anos nas periferias da Arquidiocese de São Paulo.

Desde abril de 2016 está na Diocese de Crato, na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Crato, onde atua junto ao povo, principalmente em áreas periféricas.

Fonte: Patrícia Mirelly/Assessoria de Comunicação da Diocese de Crato

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